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Peças paradas, dinheiro parado: 4 passos para libertar tesouraria no stock da oficina

22 de out.
3 min de leitura

Atualizado: 23 de out.

São nove da manhã e o cliente da revisão já está à espera. O mecânico vai ao armazém buscar o filtro de óleo e encontra de tudo: três caixas de pastilhas para um modelo que já quase não entra na oficina, lâmpadas com pó de dois anos, a peça que "pode vir a fazer falta". O filtro que faltava, esse, não está lá.

Entre filtros, pastilhas, óleos e lâmpadas, o armazém de uma oficina acumula dinheiro. Dinheiro que não aparece na conta bancária, mas que pesa na tesouraria todos os meses.

Em 30 segundos

  • Ter stock custa mais do que a peça: a literatura de gestão aponta para 20% a 30% do valor do inventário por ano.

  • A análise ABC mostra onde está o dinheiro e onde vale a pena gastar tempo de gestão.

  • Mínimos e pontos de encomenda para o que roda; o resto encomenda-se por trabalho.

  • Peças sem movimento há mais de 12 meses: devolver, promover ou abater com o contabilista.


O custo invisível da prateleira cheia

Ter stock custa mais do que o preço da peça. Há o espaço, o tempo de quem arruma e conta, os seguros, as peças que se estragam ou ficam obsoletas e, sobretudo, o custo de oportunidade do dinheiro empatado.

Na literatura de gestão, o custo anual de ter stock costuma situar-se entre 20% e 30% do valor do inventário (referência geral citada na Wikipedia, "Carrying cost").

Exemplo ilustrativo (não é um caso real): uma oficina com 15.000 € em peças na prateleira, a um custo de 25% ao ano, gasta cerca de 3.750 € por ano só para manter esse stock. Se conseguir reduzir o stock em um terço sem falhar trabalhos, liberta 5.000 € de tesouraria e poupa perto de 1.250 € por ano.


Mãos com luvas de trabalho seguram um disco e pastilhas de travão novos na oficina
Pastilhas e discos rodam todas as semanas: são as peças que merecem stock mínimo definido.

Passo 1 — Saber o que tem

Parece óbvio, mas muitas oficinas não sabem o valor real do stock. Faça uma contagem completa e registe-a no sistema.

A partir daí, cada peça que sai fica associada a uma ordem de reparação. Assim o stock do sistema bate certo com o da prateleira.

Passo 2 — Classificar as peças (análise ABC)

  • Classe A: as poucas referências que representam a maior parte do valor consumido. Controlo apertado.

  • Classe B: referências intermédias. Revisão regular.

  • Classe C: muitas referências de baixo valor. Regras simples, como um stock mínimo.

Esta classificação mostra onde está o dinheiro e onde vale a pena gastar tempo de gestão.


  • Prateleiras arrumadas por referência

Passo 3 — Definir mínimos e encomendar com dados

Para as peças que roda todas as semanas, defina um stock mínimo e um ponto de encomenda com base no consumo real e no prazo do fornecedor. Para as restantes, encomende por trabalho.

Com distribuidores que entregam várias vezes por dia, ter tudo em casa raramente compensa.

Passo 4 — Tratar o stock morto

Liste as peças sem movimento há mais de 12 meses. Algumas podem ser devolvidas ao fornecedor, outras usadas em promoções de manutenção, e as obsoletas devem ser abatidas com o seu contabilista.

O objetivo é simples: a prateleira só deve ter o que roda.


Dono de oficina analisa números no portátil num escritório envidraçado com vista para a oficina
Os indicadores do stock cabem num ecrã — e devem ser vistos todos os meses.

Os indicadores a seguir todos os meses

  • Valor total do stock.

  • Rotação: quantas vezes por ano o stock é consumido.

  • Peças sem movimento há mais de 6 e 12 meses.

  • Peças usadas que ficaram por faturar.


Peça parada é dinheiro parado. O dono da oficina que sabe o que tem na prateleira negoceia melhor com fornecedores e dorme melhor ao fim do mês. — Diego Silva, fundador da iTEG4Business, Mestre em Gestão

Como a iTEG4Business pode ajudar

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